Sobre o AquaRio e abusos contra animais

Estou para escrever esse post desde que vi a notícia do mega ultra aquário que vão abrir no Rio de Janeiro, que ostenta o triste recorde de ser o maior da América. Num tempo em que se luta pela preservação da flora e fauna, em que cresce a consciência acerca de conceitos como sustentabilidade, carbono zero e outros temas fundamentais, em que se batalha pela criação de santuários de animais e pela proibição de maltratos animais, fico me perguntando qual a função de mais um aquário no planeta. A imagem do tubarão, batizado com nome de gente, que veio da Indonésia até o Brasil dentro de um caixote, foi a gota d ‘água. São 7 mil, SETE MIL ANIMAIS que ficarão presos num tanque com APENAS 7 metros de profundidade nessa mais nova atração turística em solo carioca.

“Tem várias atrações no aquário, as pessoas vão poder tocar uma arraia, um tubarão, um invertebrado”, conta o diretor do AquaRio, Marcelo Szpilman. Muitos dirão que existe um sentido educativo e de sensibilização nesse processo.

Mas não, não há. Há um sentido deseducativo. E uma lógica bem lucrativa, levando-se em conta que o ingresso individual mais barato custa R$180.  Animais não são entretenimento, não são vitrine para diversão. Precisamos aprender que eles pertencem aos seus habitats, que o homem não tem o direito de intervir, que a vida selvagem não é um circo, e que a natureza é sagrada.  Até onde vi e vivi em todas as ações de preservação das quais participamos, em todos os mergulhos, em todas as caminhadas, é não toque em nada, não leve, só tire fotos, respeite a natureza. Então não, esse aquário não é educativo, e não tem nenhum sentido ambiental.

Animais que sofrem por terem sido capturados precisam ser protegidos e readaptados em santuários – espaçosos, livres para serem animais selvagens, mas ainda sob cuidado e supervisão humana – , e não em zoológicos e aquários. E, aqui, nem é esse o caso: muitos animais foram retirados dos oceanos, como esse tubarão da foto. Outros vão nascer, crescer e se reproduzir dentro do aquário, como consta no projeto.

Então que fique claro: não temos o direito de massacrar outros seres vivos dessa forma.

E aproveitamos para listar aqui mais algumas barbáries que vimos pelo mundo e que precisam de um ponto final:

  • Templo dos Tigres em Chiang Mai: animais acorrentados e dopados, presos num espaço exíguo, e expostos a visitação estressante.
  • Camp de elefantes: em Chiang Mai e no Laos, os animais ficam acorrentados e são obrigados a fazer os passeios pela selva com turistas. Para isso, são furados e domados cruelmente com instrumentos pontudos de ferro e chicotadas. Em alguns camps, os bichos ainda fazem espetáculos circenses.
  • Centro de Conservação de Elefantes na Flórida: ano passado, vazou essa foto de um elefante bebê que, logo após seu nascimento, foi amarrado e maltratado com ferrões para ser domado e vendido ao American Ringling Brother Circus. Evite sempre circos com animais, e fique de olho:  há muitos centros de proteção sérios, mas há também muitos que são fachada. Pesquise no Google sempre antes de visitar e comprar ingressos. Você pode estar financiando a barbárie sem saber.
  • Em Orlando, não fomos ao Animal Kingdom nem Sea World. Mas fomos ao Aquática, e não gostamos de ver baleias presas num taque por onde passava um tobogã subaquático, em condições de estresse e absurda falta de espaço.

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2 Comments

  • Parabéns! Estou feliz em ler isso em um blog e por você ser mais uma do meu time. Uma das minhas primeiras viagens na vida foi a Cancun e Orlando. Eu assisti as baleias no Sea World com uma ingenuidade imensa e achei lindo… Em Cancun minha experiência foi o nado com os golfinhos, pois isso é uma atração e tanto por lá. Antes disso, eu nunca havia assistido nenhum animal fazer espetáculos.. Até então, no máximo, eu já havia visitado alguns Zoológicos. Porém, depois dessa incrível experiência (pq sim.. realmente é incrível o que eles fazem), parei e pensei: como pode uma coisa dessas? Eles são inteligentes! Sim.. eles são e são escravos.

    Quando fiquei sabendo da realidade das baleias e da realidade dos golfinhos, me caiu a ficha para tudo que acontece no mundo, além do nado com golfinhos e espetáculo de baleias, tem quem toque em tigres, leões, andem em elefantes, assim como você citou e muito mais.. e acho que o caso do Aquário do Rio de Janeiro assim, como outros muitos no mundo, também fazem parte da mesma crueldade. Infelizmente estamos longe de um mundo que não exista isso, e juro, me bate uma profunda tristeza ao ver qualquer coisa desse tipo. Eu jamais conseguiria assistir algum show de baleias ou nadar com golfinhos novamente em plena sã consciência.

    Hoje, não me sinto bem nem dentro de um zoológico, mal consigo olhar para eles e eu gostaria que o mundo inteiro ignorasse qualquer animal nessas condições. Me dói profundamente saber que isso existe e que infelizmente, para que eu percebesse isso, eu tive que passar por algumas dessas experiências. Eu só espero que, com esse comentário, eu possa incentivar pessoas que também são do meu time a escreverem mais sobre isso em seus blogs, para lembrar e deixar bem claro para todas as pessoas que existe um lado que a gente não vê, o lado triste e cruel do seu próprio divertimento. Pra você, foi um dia de divertimento, para ele, será uma vida inteira de sofrimento.

    • admin disse:

      Gabi, que legal esse seu depoimento!!! Pois é, somos totalmente contra. E partimos do princípio do respeito a todos os seres vivos. Imigrantes, crianças, animais: o mundo precisa de amor e solidariedade. De coexistência.

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