Roteiro Bonito: o que fazer e os melhores passeios

Logo de cara, Bonito surpreende quem chega pela quantidade de belezas naturais  concentradas em um mesmo lugar. A região tem rios de azul exageradamente transparentes, lagoas, nascentes, cachoeiras, abismos que só podem ser acessados por rapel, observação de pássaros, trilhas. E tudo extremamente preservado. Num país onde o turismo predatório impera, Bonito optou pela conservação. Os atrativos estão quase todos dentro de RPPNs, uma categoria de Unidade de Conservação permanente e irrevogável. Para quem gosta de natureza e ecoturismo, Bonito é um destino imperdível.

Isso quer dizer que há regras restritas de visitação dentro dos atrativos, com  plano de manejo e limite diário de pessoas. Não se visita nada sem a presença de um guia, e todos os passeios tem hora marcada e são feitos em pequenos grupos. Parecem regras chatinhas à primeira vista, mas é o que mantém Bonito conservado. E no fim das contas, acaba sendo divertido estar com outras pessoas nos grupos.

Como chegar em Bonito

Bonito fica a 265km de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Para chegar na cidade, é preciso pegar um transfer de 4 horas. A Vanzella Transportes tem um serviço e cobra R$100 por pessoa por trecho.

Organizando a viagem

A primeira coisa que você precisa saber é que as atrações ficam distantes do centro de Bonito, nas fazendas. Algumas estão a 15 km, outras a 60km, e assim vai. Além disso, por causa das regras de visitação, é preciso marcar o seu passeio com uma certa antecedência, e chegar na hora certa. Dá pra fazer dois passeios por dia na maior parte das vezes, e o ideal é fazer uma programação levando em conta a distância entre as atrações.

Quem organizou a nossa viagem toda foi a Venturas, operadora especializadíssima em ecoturismo. Eles trabalham com pacotes regulares, onde a viagem é feita com grupos de até 15-17 pessoas e com uma programação padrão.  A Venturas monta pacotes individuais e feitos sob medida.

Quem quiser ficar por conta própria, precisa alugar um carro (média de R$120 por dia). Levando em conta esses valores mais os do passeio e hotel, vale mais à pena fechar o pacote. Há ainda uma van compartilhada que leva as pessoas para as atrações, mas acaba sendo uma perda de tempo enorme. Só indicamos essa opção caso seu orçamento seja realmente apertado.

Para hospedagem, a gente recomenda a Pousada Águas de Bonito, que foi onde ficamos. O hotel tem uma área verde linda, piscina normal e aquecida, spa, sauna, sala de ginástica, quartos ótimos e, além do café da manhã, serve um lanche pantaneiro no meio da tarde que faz toda a diferença. E a equipe é um doce. A  Venturas também trabalha com eles. 

Quando ir: melhor época para Bonito

O verão em Bonito é chuvoso e quente. A vantagem é poder se esbaldar nas cachoeiras, que vão estar com mais volume d’água. Em compensação, por causa das chuvas, há o risco de algumas atrações fecharem devido a mau tempo, e a água não fica tão transparente em determinados locais. Em fevereiro, e encontramos a Estância Mimosa com água marrom e o passeio da Bodoquena foi cancelado. De resto, estava tudo ótimo.

O período do inverno até o início da primavera é o menos chuvoso em Bonito. É frio, mas as flutuações não ficam prejudicadas (há roupas de neoprene), e com a escassez de chuvas, a visibilidade na água atinge o auge.

 

Roteiro Bonito: dia a dia e as melhores atrações

Dia 1 – chegada

Chegamos em Campo Grande por volta das 14h e pegamos o transfer para Bonito. São 4 horas de estrada em boas condições. Chegamos de noite, a tempo apenas de jantar e dormir. Jantamos no Zapi Zen, uma pizzaria ótima no centro.

Dia 2 – Gruta do Lago Azul e bote no Rio Formoso

Nossa viagem começa por um dos cartões postais de Bonito, a Gruta do Lago Azul. Para chegar, percorremos  uma trilha de 200 metros, e depois descemos uma longa escadaria que leva até a 150 metros abaixo do solo. No fundo da caverna, está o famoso lago azul cristalino protegido por estalactites e estalagmites. Sob as águas, há fendas misteriosas com quase 100 metros de profundidade e um cemitério de animais extintos, entre eles, uma preguiça gigante.

Houve um tempo em que as pessoas podiam entrar nessas água, mas mergulhar aqui é proibido há 23 anos, desde que o sítio arqueológico submerso foi descoberto, e hoje a Gruta do Lago Azul é hoje um passeio para contemplação. A beleza é conhecida, e não é por menos: o lugar é realmente impressionante.

Depois do passeio, voltamos para  o centro da cidade,  almoçamos no O Casarão – um a quilo que é uma boa solução para um almoço rápido – e seguimos para o bote do Rio Formoso. Guerra de água entre os botes e 3 corredeiras ao longo do rio fazem desse um passeio bem divertido.

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Dia 3 – Flutuação no Rio Sucuri e Cachoeiras da Vila Mimosa

O dia começou bem cedo, às 7h. Vinte quilômetros de estrada de terra  e chegamos ao Rio Sucuri para nossa primeira flutuação em Bonito. Poucas vezes na vida, vimos águas doces dessa tonalidade O fenômeno se deve à grande concentração de calcário, uma espécie de filtro natural que calcifica materiais sólidos, levando-os para o fundo de rios. Quando o sol bate, as cores ficam ainda mais insólitas.

São 50 minutos e 1800 metros de travessia dentro d’água, vestindo roupas e botas de neoprene e colete salva-vida, ao sabor da correnteza do rio. A coloração embaixo d’água e os peixes pelo caminho emocionam, mas experimente também colocar a cabeça para fora. Você se surpreenderá com um rio esmeralda que vai desenhando curvas em meio a uma mata coberta de palmeiras e vegetação nativa densa.

Nossa próxima parada é a Estância Mimosa, a outros 24 km de Bonito. Mas antes de seguir para as cachoeiras, uma pausa para o   almoço feito no forno à lenha, com salada e hortaliças colhidas ali mesmo na estância e compotas caseiras de sobremesa. Com as energias repostas, seguimos para passeio. São 3,5 quilômetros de trilha –  a maior parte sombreada pela mata – que levam a quedas d’água, lagos, poços e cachoeiras. No meio do caminho, um trampolim de 5 andares para quem quiser um pouco de adrenalina, e um passeio de canoa. Por causa da chuva, pegamos a água num tom ferrugem (o que não comprometeu em nada o passeio). Mas o normal é encontrar essas cachoeiras verdes e bem clarinhas.

Fechamos o dia jantando na Casa do João, um dos restaurantes mais tradicionais de Bonito.

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Dia 4 – Abismo Anhumas

Nada do que for dito antes, nenhuma foto ou filme que vir, será suficiente para antecipar o que você encontrará no Abismo Anhumas. A entrada para esse mundo subterrâneo cheio de surpresas é um buraco no chão. E assim, como se fosse num livro de C.S Lewis onde a porta de um armário é a passagem para  Nárnia. a gente atravessa a rocha e chega a um mundo mágico. Em rapel negativo,  a gente desce 72 metros (o equivalente a  um prédio de 26 andares) até chegar no interior na caverna. Lá embaixo, deques flutuantes sobre um enorme lago azul servem de apoio para o visitante. A gruta é fria e escura, com enormes estalactites.

Mas é olhando para o lago que tudo fica ainda mais surreal. Sob a água cristalina, transparecem enormes cones de sedimento, como se fossem casulos gigantes. É  hora de vestir roupas grossas de neoprene e flutuar para observar essas formações, que chegam a ter 20 metros.

A atividade é tão complexa que todo participante deve realizar um treinamento, no dia anterior, na sede da empresa. A prática, obrigatória, acontece num salão com paredes de 9m de altura, onde o turista desenvolve técnicas de subida e descida em rapel.

Confesso que fiquei pânico da descida de rapel, ainda mais com a Julia. Mas tudo é feito com muita segurança, e nos 20 anos de operação do Anhumas, nunca houve registro de acidentes. Mas depois de tudo, só o que a gente pensa é o quanto foi bom ter vencido o medo e conhecido esse lugar tão espetacular.

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Dia 5 – Nascente Azul e Lago da Capela

Flutuar nos rios de águas cristalinas é uma das grandes atrações de Bonito. Tem muita gente que pergunta qual fazer: Prata, Nascente Azul ou Sucuri, e nossa resposta todas. Vale à pena fazer cada uma delas.

Mas a dica aqui na Nascente Azull é aproveitar para passar o dia. Isso porque além da RPPN onde fica a nascente e a flutuação, a fazenda conta com uma área super gostosa para receber os visitantes, com lago cheio de peixes, tirolesa, playground, piscina de água doce e cascatinhas.

Já sobre a flutuação, ela começa na Nascente Azul, onde quem quiser pode descer de apneia a uma profundidade de 5 metros e ver a nascente brotando.  Durante alguns meses do ano, é possível também mergulhar de cilindro na lagoa da nascente.

Depois, é hora se seguir boiando pelo cristalino Rio Bonito, que tem uma cor esmeralda escandalosa.

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Dia 6 – Buraco das Araras e flutuação no Rio da Prata.

A 50 km de estrada de Bonito, está uma outra incrível formação geológica de Bonito. No nosso última dia, fomos conhecer o Buraco das Araras, uma espécie de cratera com 100 metros de profundidade e 160 de diâmetro que virou casa de centenas de araras vermelhas. Uma pequena caminhada de 900 metros e vamos parando em volta do buraco para observar melhor os pássaros. Nessa época de janeiro, há menos aves. Em em outubro, quando acontece o período reprodutivo e as araras se concentram no local. Depois do nascimento, no início do ano, as araras saem do buraco para ensinar os filhotes a caçar e voar.

Fomos em fevereiro, e mesmo assim conseguimos ver muitas delas. Uma árvore cheinha de araras, e o som dos pios ecoando. A experiência foi linda.

De lá, seguimos para a flutuação no Rio da Prata. A fazenda fica a apenas 7 km do Buraco das Araras, já no caminho de volta.

O Rio da Prata é, talvez, uma das flutuações mais conhecidas em Bonito. E dá pra entender porque. Aqui, além da água absurdamente transparente e azul, há uma imensa variedade e quantidade de peixes. O passeio começa pela mata, numa trilha aberta em zigue-zague para proteger o ambiente da erosão. Muitas plantas, palmeiras e, de repente, surge o rio.

Ao todo, são quase duas horas de flutuação que começam no Rio Olho d’ Água e seguem pelo Rio da Prata, parando para cortar por terra o rio que em alguns trechos se torna mais caudaloso.  No trajeto, vimos pacus, curimbas, dourados, piaus, piraputangas, lambaris. A proximidade com os peixes é encantadora, mas há outra orientação clara: nem pensar em tocá-los. Encontrar sucuris e jacarés também é possível, mas segundo os guias, não há com o que se preocupar.

Terminamos o dia jantando no Juanita, um restaurante local que serve peixes fresquíssimos e deliciosos. Depois, foi dormir para no dia seguinte voltar para casa bem cedo, com a certeza de que vamos voltar muitas e muitas vezes para esse paraíso.

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